quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O que é a Morte para você?

Confesso a vocês: Os textos que têm tudo de Deus e pouco de mim, sabe-se que são mais de Deus do que meus. Mas também não me sinto à vontade, apenas revelando Deus em mim: porque os que querem apenas Deus, não virão até à minha escrivaninha. Irão até o pastor, até o rabino, até o padre, até a natureza, até dentro de si, e ali encontrão Deus. Portanto, meus textos hão que ter medida. Hão que ter proporção. Hão que ter convergências, onde o meu leitor possa identificar: aqui está Ana, aqui está Deus, aqui estão os dois juntos. E aqui estamos nós.

Ontem, o sentimento de não ter feito o dever de casa, ficou revirando dentro de mim, até que, cansada de ser revirada, tomei a decisão de escrever sobre o significado da morte para o cristão. Quero apresentar esse tema a vocês, sem ignorar o apelo, sem fingir, como fingi até agora: “ não, isso não é comigo.”

É comigo porque a comissão é divina. E se tenho que falar sobre a morte, melhor falar enquanto ainda estou com vida, do que partir devendo a explicação. Uma explicação apenas espiritual, baseada na Bíblia, e na observação pessoal sobre os dois lados de uma mesma moeda, com a qual todos nós efetuamos transação: a vida e a morte.

Não dá para varrer e esconder embaixo do tapete os sentimentos que estão aflorados dentro de alguns de nós. Vidas tão jovens estão cruzando a linha de fronteira da morte. Esta semana, eu vi, como alguns de minha cidade também viram, mas creio ter visto mais, do que todos aqueles que viram.

Exatamente por ter visto tanto, Deus encarregou-me de compartilhar com vocês: os de perto e os de longe, todos por quem os sinos dobram também. Quero compartilhar enquanto ainda está fresco, enquanto a memória recente permanece preservada. Tenho, pois, o encargo de compartilhar o que vi.

Eu vi: A paz na imobilidade da pedra. Essa imensa paz falou da eternidade com tamanha força que hoje sou a porção mais expletiva, aquela que serve para preencher e completar o que faltou dizer. Sendo que não faltou nada. Em pura serenidade, ele nos disse tudo.

Apenas imóvel, apenas dormindo, apenas sonhando, apenas obtendo a restituição que pediu a Deus, apenas sendo frágil, apenas desprezando a força, apenas querendo colo de mãe, apenas pedindo a última morada, apenas suplicando o teto em dia de chuva, apenas desejando a cama em dia de frio, apenas dizendo: “eis o berço” afinal, – ele nos disse tudo.

Eis o berço onde o guerreiro triste repousa das guerras que não declarou, das batalhas que não deflagrou, da miséria que não decretou, das angústias que apenas viveu, do mundo que não lhe fez juz. Eis o berço, onde tudo parece ganhar um sentido novo. Um sentido novo, que afronta o sentido velho. O velho acordar, o velho andar, o velho acumular, o velho entesourar, o velho aprender, o velho ensinar: tudo velho.

Desse tudo velho, que a nós, os vivos, parece tão novo, a cada dia, e pelo qual nos gastamos tanto: O trabalho, que nos pede a máxima pontualidade; a vida acadêmica, que nos exige o máximo saber; o amor, que não exige nada, mas nos impele a tudo; a política, que só nos basta sofrer - nem precisamos fazer; os bens de consumo, que consumimos tanto, até que eles nos consumam à exaustão de toda uma vida.

Então, cabelos brancos, olhos embaçados, mãos trêmulas, passos indecisos, só então dizemos: “é isso a vida?”

Não é isso a vida. Vida é um estágio e não, apenas, um estado. Um estágio que requer de nós bem mais do que a mera concentração de esforço humano para manter o processo bio-químico em funcionamento. A verdadeira vida é da mesma qualidade de vida inerente a Jesus, a vida eterna, a vida que guarda dentro de si mesmo - a própria origem da vida.

Jesus é Deus. “ No princípio era o verbo, e o verbo estava com Deus, e Verbo era Deus.”João 1:1

Ele estava ou Ele era? Ele era e Ele estava! Eis aí um mistério! Ele era um, fez-se dois e, na formação do homem, finalmente, três: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança.”(Gn 1:26).

O Pai planejou, o Filho executou e o Espírito substantifica e torna realidade para nós as coisas espirituais.

Não por coincidência, mas por realidade, o universo inteiro é formado por átomos e os átomos são compostos de prótons, neutrons, e elétrons. Três fazem Um e esse que é Um faz movimentar o universo inteiro, que é formado pelos Três. Eita Deus! (Obrigada meu Deus, por essa revelação tão simples, tão pura e tão cristalina!)

E o que é então a morte? A morte é a libertação do susto, da perplexidade, da impotência, do medo, do mal, das manchetes hodiernas de cada dia: essas, no pós morte, não nos atingem mais.

Mas a vida é depositar, finalmente, todas as dores, todas as angústias, todas as perplexidades, todos os temores, nas mãos daquEle que venceu a morte por nós. Isso é a vida.

A morte, para o cristão, é o que está descrito em Isaias 57:1-2 “ Perece o justo e não há quem considere isso em seu coração que os homens compassivos são retirados, antes que venha o dia do mal? Entrarão em paz, descansarão nas suas camas os que houverem andado na sua retidão.”

Morte é um estado de paz, um sono, um descanso, uma ausência de sofrimento, um não mais saber notícias do caldeirão do inferno, um não mais ser alcançado por quaisquer enviados das trevas, que tentem fazer de nós, o tema da última reportagem.

Sinto dizer-lhes, a vocês, que se gastam tanto em busca do sucesso, do trabalho, da projeção social, da ascenção econômica, do vil metal, sinto dizer-lhes que todos morrerão com falta ou excesso de sucesso, de trabalho, de projeção social e de ascenção econômica. Morrerão impregnados de reais, de dólares, de euros, e morrerão até que pelo nariz lhes escape os vermes.

A terra tem sido injuriada pela inversão de valores, pelo descaso com o planeta, pela pompa e circunstância dos humanos. A terra é simples. Ela quer apenas a companhia do sol. Mas, por vezes, parece-me que alguns humanos, têem a pretensão de querer ser mais do que verdadeiramente somos, e a a terra não nos perdoará por isso. Ela não perdoará a intromissão humana no seu projeto perfeito, elaborado pelo grande Arquiteto do Universo. Ela nos comerá a todos – nhoc, nhoc, nhoc- e para isso tem sido ajudada pelos vermes. Os vermes e a terra são irmãos que se unem contra o inimigo comum. O mesmo inimigo que, lá no Jardim do Éden, invadiu a nossa vida, e nos fez pensar de nós mesmos mais do que convém.

O homem é o grande predador da terra. Sua ausência faria um bem extraodinário ao Planeta emporcalhado pela imundície dos homens. Um exílio involuntário, por alguns milhões de anos, seria muitíssimo bem recebido pela bicharada nativa – que chegou primeiro, diga-se de passagem.

Contra a terra, estão todos aqueles que alimentam-se da árvore do conhecimento do bem e do mal, e dela fazem o combustível de suas vidas. Esta é a era do conhecimento. Nunca se acumulou tanto conhecimento, como, também, nunca se chegou tão perto de colocarmos em risco a existência da vida biológica no planeta. Com tanto conhecimento.

Mas a terra, embora seja a nossa casa, o nosso ninho, o planeta que ocupa um lugarzinho no Sistema Solar, que por sua vez está abrigado, não no centro, mas na periferia da Via Láctea, - a terra - ainda não é o alvo: o alvo é o homem.

Está chovendo em nossa cidade: chove na terra. Que diferença isso fará? Que diferença fará saber que choveu? Que diferença fará, assistir a vitória do próximo(a) prefeito(a)? Que diferença fará, se houver uma recessão econômica em âmbito mundial? Se houver dinheiro, e não houver alimento? Se o efeito estufa, estufar a terra? Que diferença isso fará?

Tudo bem, você quer que eu mencione o oposto, o lado bom da vida. Pois aceito o desafio. Farei isso também: que diferença fará, se as estações produzirem o verão no verão, e o inverno no inverno? E entre elas, o outono, seguido da primavera? Que diferença fará, se as bouganvileas florirem todas? Se não houver mais pobres na terra? Se o Brasil ganhar todas as copas do mundo? Se a próxima rodada Dhoa chegar a um consenso que não nos doa no bolso? Que diferença isso fará?

Morreremos todos. Ao fim do ciclo, tombaremos: um após o outro. E outras chuvas virão, outras estações suceder-se-ão, outras guerras e outras pazes serão estabelecidas, outros homens nascerão, com uma porção de maldade intrínseca, e igualmente, morrerão.

Para os mortos, não faz nenhuma diferença os fatos naturais ou sobrenaturais da terra. E para nós, - que somos os mortos em outra forma, - que diferença isso fará daqui a 50, 70, ou 100 anos?
Diante da eternidade, apenas uma coisa pode fazer diferença: sermos filhos de Deus, pela preciosa redenção efetuada por Jesus Cristo, e recebida por nós como presente do céu. Pura graça! Para isso, é necessário um transporte de reino: o homem precisa sair da esfera de Adão, e entrar na esfera de Cristo. De que maneira isso se faz? A fórmula bíblica é: Crer com o coração e declarar com a boca. Crer e dizer: “Eu recebo Jesus Cristo como meu único e suficiente Salvador! ( Romanos 10: 8-10).

Fomos programados por Deus para sermos seus filhos, - em Cristo,- e na qualidade de filhos, nem a morte e nem a vida deveria nos amedrontar. Nossa luz está acima e além, como cidade edificada sobre o monte. Nada nos atingiria se compreendêssemos, enfim, a posição que nos está garantida, por herança, nas regiões celestiais.( Efésios 1)

A morte para nós é como o ferimento no calcanhar de Cristo: um sono, do qual acordaremos sem maiores danos. ( Gn. 3:15). Mas, para aqueles que não pertencem a Cristo, a morte será como o ferimento na cabeça da serpente: morte eterna que não é morte mas um queimar eterno no lago de fogo. (Apocalipse 20: 11-15).

Embora essa verdade seja objetiva e segura, poucos atingiram a revelação interior, capaz de revolucionar toda a existência humana. Tentamos, mas não conseguimos atingir esse estágio; não conseguimos elaborar o fato maravilhoso que Paulo descreveu em 1 Coríntios 2:9: “ as coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam.”

Não obtendo a substantificação dos fatos espirituais, sofremos. E por sofrer, choramos. E por chorar, comovemos o coração de Deus. E finalmente, Deus, comovido ao extremo com um sofrimento extremamente desnecessário, intervém e diz : Vem! Vem para o mundo dos irremediavelmente vivos e tome posse, por antecipação, da herança eterna que vos está preparada, desde antes da fundação do mundo.

A morte é um castigo, a morte é o último inimigo a ser vencido, mas para os filhos, Deus concedeu o penhor do Espírito que se contrapõe à morte. Com o nosso penhor, a morte não nos toca.

Há serenidade e paz naqueles que dormem em Cristo. A paz que eu vi estampada na face imóvel e serena, que ardia em vida. A paz que já não me deixa distinguir se: mortos somos nós - os vivos, - ou se vivos, são os que morrem em Cristo, antes de nós.

Texto: Ana Maria Ribas Bernardelli
Publicado no Recanto das Letras em 02/10/2008
Código do texto: T1207208

2 comentários:

tossan disse...

É difícil...definir a vida!? Deixa eu viver depois quando eu me for te direi toda a verdade. Fique com Deus. Bj

Etelvina de Oliveira disse...

Oi Tossan

Obrigada pela visita.

beijos